segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Menina da Chuva



Ela queria adoçar sua vida. Saiu naquele dia chuvoso a procura de paixão. Aquela que mexia com seu estômago, lhe provocava arrepios e a fazia perder as estribeiras. Por onde andava? Lá estava ela andando de baixo da chuva pelas ruas desertas a procura da tal. Vez ou outra um ou outro passava por ela com olhar assustado - aquela moça de corpo angelical e cabelo escorrido andando sem rumo, rua a fora? Só podia ser louca a coitada... Ou foi colocada para fora de casa - Andou até o centro da cidade. Chegando ao largo dos "aflitos", onde artistas misturavam-se à prostitutas, mentigos e beberrões, sentou-se junto a eles e ficou ali por horas e horas observando aqueles rostos perdidos ansiosos por atenção. A paixão havia abandonado todos aqueles seres imperfeitos e excluidos. Ela sentia que não havia sido abandonada, a amiga só havia se dado um descanso depois de tantos corações despedaçados. Voltou para casa ainda ansiosa por paixão, vontade e desejo, em sua perigrinação não havia encontrado vestígio algum da amiga cansada. Andou pela casa sem rumo até abrir a geladeira e se ver frente com seu esquecido brigadeiro de panela. E ali de colherada em colherada foi  reencontrando a paixão descansada.
ANA PAULA RIOS
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