
Enfim voltara para a terra dos seus sonhos, mas nela não se reconhecia. Aquele lugar antes tão familiar, agora era habitado por outra gente. Pessoas que nem de longe lembravam aqueles rostos pacíficos e espíritos abertos de outros tempos. Tentou entender o que havia ocorrido. Sentou-se em um boteco em plena avenida movimentada do subúrbio e ficou a observar os passantes por horas. Loucos, mendigos, usuários... O cenário era o mesmo... Mas as pessoas... Parecia que haviam perdido a alma, algo próprio de cada indivíduo. Nos seus sonhos eles eram personagens mais profundos, intrigantes... Tempos atrás se sentia privilegiada em conviver com o submundo que os burgueses repulsavam. Conseguia sentir a poesia nos becos tortuosos da cidade Babilônia, terra de todos os deuses e demônios. Sentava para ver passar as meninas sem pudor a desfilar pelos becos com seus shortinhos, pés descalços e língua afiada para os olhares maliciosos. Aquelas pessoas faziam parte de seu cotidiano e eram eles que houvera guardado em sua memória quando resolvera abraçar o mundo. Agora de volta, se emudeceu. Havia ela criado seu mundo particular? Mundo particular esse que era habitado por seres marginais que a aprovavam e a faziam acreditar na poesia e no lirismo da vida. Lirismo que houvera perdido em meio a solidão que se propôs a viver durante anos de afastamento. A solidão tomou de seus olhos a poesia marginal.
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